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Defesa de Bruno pede apoio da OAB contra tortura psicológica Imprimir E-mail
Ter, 20 de Julho de 2010 16:19
Os advogados Ercio Quaresma, que defende o goleiro Bruno, seu amigo Macarrão e outros três envolvidos na suposta morte de Eliza Samudio; e Zanone Manuel Oliveira, que defende o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, afirmaram hoje que os delegados que investigam o caso estão usando tortura psicológica contra seus clientes.

Quaresma afirmou que, para evitar mais abusos, solicitou à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) uma reclamação formal junto à Secretaria de Defesa Social do governo de Minas Gerais. O advogado citou o exemplo da mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, que na última sexta teria trocado de advogado após ser coagida pela polícia.

Ele afirmou que o delegado teria trazido para o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) as filhas e a mãe de Dayanne e a obrigado a trocar de defensor. "Dayanne chegou na sexta de manhã e saiu daqui às 7h de sábado, um dos advogados que trabalham comigo, Frederico Franco, a acompanhou até as 19h de sexta. Às 20h ela trocou de defensor e prestou depoimento, respeitando orientação deste outro advogado. Para ficar livre da tortura, eu trocaria também."

Oliveira afirmou que aguarda para ainda esta tarde uma resposta favorável da Justiça quanto a um mandado de segurança impetrado por ele na sexta-feira contra os delegados para que não importunem mais o seu cliente. "Eu não diria tortura, mas um claro abuso de autoridade", disse.

O representante relatou que Bola chegou a quebrar um dos dentes da frente na semana passada no momento em que era trazido da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, para o DIHPP. Por isso, o defensor quer o acusado não seja mais retirado da prisão. "Ele está chorando, num quadro de depressão muito forte. Estão até evitando de levar para ele as informações do inquérito", disse Oliveira.

Quaresma disse ainda que a polícia está "desesperada" por provas da morte de Eliza. "O porta-voz da polícia (como ele chama ironicamente o delegado Edson Moreira) está em desespero. O tempo urge, o tempo está andando e o prazo se extinguindo, depois o processo vai para a Justiça e lá não tem carnaval". O advogado revelou que, na terça-feira, Fernanda Gomes Castro, suposta amante do goleiro Bruno, irá depor.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Fonte: Terra Notícias
 
 
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