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Esse transtorno inicialmente (1902), foi descrito por Still como “ um defeito na conduta moral”. Esse pesquisador notou que esse problema resultava em uma inabilidade da criança para internalizar regras e limites, como também em uma manifestação de sintomas de inquietação, desatenção e impaciência. Still pensou que esses comportamentos poderiam ser resultados de danos cerebrais, hereditariedade, disfunção ou problemas ambientais. A partir dos anos 60 passa a ter uma denominação mais funcional, dando-se “ênfase à caracterização da hiperatividade como síndrome de conduta, e considerando-se a atividade motora excessiva como o sintoma primordial.
A partir de 1994 e até hoje o DSM IV denominou como Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, utilizando como critério para diagnóstico, desatenção, e hiperatividade/impulsividade.
Sabe-se que além de o TDAH ter um grande impacto na vida familiar, social e escolar da criança existem outras características que Barkley classifica :
1) o surgimento dos sintomas do TDAH nos primeiros anos de vida, embora alguns estudos apontam a possibilidade de aparecimento por volta dos 12 anos de idade;
2) uma inquietação motora e períodos reduzidos de atenção que ficam aquém das expectativas da idade da criança;
3) generalização dos sintomas em diversas situações e/ou ambientes;
4) uma discrepância entre o nível do desenvolvimento cognitivo e os problemas de autocontrole.
Muitas vezes essas crianças são identificadas como desobedientes, preguiçosas, mal-educadas e inconvenientes.
As crianças com TDAH demonstram níveis de ateção inapropriados para a idade, são impulsivas e geralmente superativas, apresentam dificuldades para seguir regras e normas.
CAUSAS
Têm-se mais hipóteses do que certezas quando se fala das causas do TDAH. Mas podem ser atribuídas a traumatismos, tumores ou doenças na região orbital por ser uma das regiões mais desenvolvidas no ser humano, fatores hereditários ( já foi observado uma ligação familial com tais transtornos , substâncias ingeridas na gravidez como a nicotina e o álcool por exemplo, sofrimento fetal por problemas na hora do parto, exposição a chumbo, problemas familiares (alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução da mãe, etc.
A característica essencial do TDAH- Hiperatividade consiste num padrão persistente de desatenção e ou hiperatividade-impulsividade, mais freqüente e grave do que aquele tipicamente observado nos indivíduos em nível “normal” de desenvolvimento.
A Desatenção pode manifestar-se em situações escolares, profissionais ou sociais. Os indivíduos com este transtorno podem não prestar muita atenção a detalhes ou podem cometer erros por omissões de cuidado nos trabalhos escolares ou outras tarefas . O trabalho freqüentemente é confuso e realizado sem meticulosidade nem consideração adequada. As crianças têm também dificuldades para prestar atenção em tarefas ou atividades lúdicas e consideram difícil persistir em tarefas até seu término. Dão a impressão de estar com a mente em outro lugar, ou de não haver escutado o que recém foi dito. Suas tarefas são na maioria das vezes inacabadas, freqüentemente não atendem à solicitações e são pouco tolerantes à frustrações. Esses indivíduos também são facilmente distraídos por estímulos irrelevantes e habitualmente interrompem tarefas em andamento para dar atenção a ruídos ou eventos triviais que em geral são facilmente ignorados por outros (ex: a buzina de um automóvel., uma conversa no fundo da sala de aula, etc)
A Hiperatividade: pode manifestar-se por inquietação ou remexer-se na cadeira, por não permanecer sentado quando deveria, por correr ou subir excessivamente em coisas quando isto é inapropriado, por dificuldade em brincar ou ficar em silêncio em atividades de lazer, e por parecer estar a todo vapor, cheio de gás, bicho carpinteiro e por falar em excesso.
Essas crianças andam de lá para cá, movem-se “mais rápido que a sombra”, sobem ou escalam móveis, correm pela casa e têm dificuldades em participar de atividades sedentárias em grupo. Elas manuseiam objetos inquietamente, batem com as mãos e balançam pernas e braços excessivamente. Com freqüência levantam-se da mesa durante as refeições, enquanto assistem televisão, fazem os deveres de casa, falam demasiadamente e fazem muito ruído quando deveriam permanecer calados.
A Impulsividade: manifesta-se como impaciência, dificuldade para protelar respostas, responder precipitadamente, antes do término das perguntas, dificuldade para aguardar sua vez e interrupção freqüente ou intromissão nos assuntos alheios, ao ponto de causar dificuldades em contextos sociais, escolares ou profissionais. Indivíduos com este transtorno tipicamente fazem comentários inoportunos, não obedecem instruções, se intrometem em assuntos que não lhe dizem respeito, agarram objetos de outros, pegam coisas que não deveriam tocar, etc.
TDAH E EDUCAÇÃO
Na idade escolar persiste a sintomatologia do transtorno e começa a manifestar-se uma serie de perturbações secundárias que afetam sobretudo as relações interpessoais e a aprendizagem escolar.
Os pais sentem-se impotentes diante da atividade exagerada da criança e de suas condutas opositoras. Mas apresar disto, os pais tendem a subestimar o comportamento de seus filhos e as professoras a superestimar o comportamento dessas crianças.
Podemos perceber que o TDAH tem um poderoso impacto no ajustamento educacional da criança. Estudos indicam que essas crianças mostram um risco de fracasso escolar duas a três vezes maior do que outra criança sem dificuldades escolares mas com inteligência equivalente.
A desatenção e a falta de autocontrole colocam a criança em um grande risco para dificuldades escolares em termos do desempenho acadêmico e interações com adultos e pessoas.
A criança tem geralmente um autoconceito pobre ou baixa auto-estima, e se persuadida a tentar novamente nas tarefas fecha-se e diz que não consegue fazê-las
Geralmente é observada pelo professor uma discrepância entre o potencial intelectual e a realização acadêmica da criança, promovendo um índice de fracasso escolar.
O pré-escolar jovem move-se rapidamente pela sala, colocando-se em tudo de uma maneira casual, caótica. Ele salta, escala e corre como que impulsionado por um motor. Na classe a desatenção predomina, pois a criança, com freqüência, parece não estar escutando .
O comportamento da criança com TDAH é desigual e imprevisível e não reativo ‘as intervenções normais do professor.
Portanto, tanto a criança como o adolescente é visto em sala de aula pelo professor com um aparente desinteresse e ou apatia. Nas atividades escolares e desatento durante as aulas e muitas vezes não cumpre os prazos para a entrega dos trabalhos, esquecendo-se dos dias de provas, dando a impressão de que não está nem ai.
É importante para o profissional estar consciente que problemas de atenção dentro do ambiente escolar trazem como conseqüências uma inadequada produção de trabalho escolar em que a criança será incapaz de terminar o trabalho de aula na classe e provavelmente terá um prejuízo em termos de conteúdo teórico.
Tais problemas podem, entretanto ser causados por fatores emocionais, pedagógicos, por falta de interesse, reforçamentos inapropriados, prejuízos de aprendizagem ou ainda prejuízos cognitivos.
Portanto, o papel da escola é crucial para ajudar a criança com TDAH no seu ajustamento educacional. Deve-se selecionar dentre poucas a escola que mais puder acolher a criança com esse transtorno.
O Psicólogo na escola deve portanto :
Discutir com a equipe escolar a respeito da noção sobre TDAH e como recebe tais alunos,
a) Verificar tamanho da classe, o ideal é uma sala não muito cheia.
b) Verificar qual a posição da escola quanto ao uso de medicamentos utilizados pelos alunos com tais transtornos.
c) Perceber como a escola lida com esses problemas e se há punições,
d) Verificar comunicação entre família e escola
e) Ver se a escola e os professores são receptivos aos profissionais que acompanham a criança
f) Ver se há outras crianças na classe com o mesmo problema,
Mas a melhor escola, em geral, é aquela que valoriza o desenvolvimento global da criança reconhece e respeita as diferenças individuais, valoriza e promove o desenvolvimento da criatividade e espontaneidade.
PAPEL DO PROFESSOR
Antes de escolher um professor para a criança com TDAH, necessitamos avaliar dois fatores importantes: o conhecimento e a atitude deste.
Infelizmente poucos professores têm conhecimento sobre o transtorno e em muitos casos, têm uma percepção errada sobre a natureza, as causas, as manifestações dos sintomas e o que devem fazer.
O conhecimento do TDAH é o passo inicial para ajudar a criança em seu processo educacional. Quanto mais informado estiver o professor, maior a chance da criança conseguir um bom desempenho escolar.
É necessário que este se recicle de tempos em tempos.
AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO DO TDAH
Antes de tudo é preciso dizer que estão avaliando e diagnosticando erroneamente crianças que exibe algum tipo de comportamento disruptivo ou conduta complacente. Temos percebido uma vasta rotulação de hiperatividade e uma indiscrepante e desnecessária sugestão de ritalina, como se fosse “ um sossega leão”.
Muitas crianças que não possuem o TDAH também podem manifestar falta de atenção, impulsividade e hiperatividade, mas só podemos dizer se tratar de um transtorne quando essas características fugir à normalidade ou tornar-se excessivas.
Outro aspecto importante a ser considerado é que o sistema de ensino atual e algumas pedagogias tentam “padronizar” os alunos, esperando que todos correspondam a mesma maneira e aquele que não se encaixa no esperado é dito como “ aluno problema, ou com dificuldade de aprendizagem. É importante que pais, professores e profissionais que lidam com essas crianças reconheçam a mecânica de nosso sistema educacional e as razões pelas quais os alunos têm uma alta probabilidade de não satisfazer as exigências da sala de aula.
Dessa forma, durante o processo de avaliação, as considerações quanto “a diversidade cultural em termos de valores e expectativas, ou ainda devido aos estereótipos associados com subgrupos específicos da população, deverão ser feitas, posto que os fatores sociais e culturais podem influenciar o ajustamento da criança ou do adolescente. Ainda, as questões culturais relacionadas à diversidade cultural são imperativas para designarem um protocolo de avaliação para crianças com TDAH/hiperatividade.
O objetivo da avaliação diagnóstica do TDAH não é de qualquer forma rotular crianças, mas sim avaliar e determinar a extensão na qual os problemas de atenção e hiperatividade estão interferindo nas habilidades acadêmicas, afetivas e sociais da criança, e na criação e no desenvolvimento de um plano de intervenção apropriado.
UMA AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
Muitos psicólogos têm dedicado mais tempo na avaliação de crianças com desordens de atenção, como uma compreensão de guia-diagnóstico, e investem menos atenção no desenvolvimento e na monitoração de programas de intervenção.
Seria conveniente utilizar um processo de avaliação multimodal e multinível que utiliza vários recursos e meios parta poder se chegar a um plano apropriado de intervenção. Esse modo de avaliação é entendido como um diagnóstico e vem a ser um processo contínuo de solução do problema podendo ser utilizado em ambientes escolares e clínicos.
Essa estratégia de avaliação é dinâmica e flexível e diretamente voltada em um plano de implementação da intervenção e avaliação das intervenções realizadas.
Um modelo adequado de avaliação pode ser realizado em quatro estágios, com objetivos e estratégias particulares, característicos de cada fase, a saber:
a) Identificação do problema, ou seja , determinar precisamente qual o comportamento evocado e seu significado e sua fonte de encaminhamento;
b) Análise do problema, o psicólogo devera identificar as variáveis que conduzem a solução do problema e desenvolver um plano de intervenção com os objetivos determinados que são estabelecer as habilidades presentes na criança e os recursos para ajudá-la.
Alguns Instrumentos Coadjuvantes:
Existem alguns testes mas ainda permanece precária a forma instrumental de avaliação. Mas podemos citar alguns instrumentos psicológicos úteis na avaliação dos déficits de atenção e hiperatividade:
- WISC,
- Matrizes Progressivas de Raven,
- TDE (Teste de desempenho escolar),
- Teste Visual-Motor de Bender,
- Labirinto de Porteus,
- Figura Complexa de Rey Osterreieth,
- Roorcharch,
- HTP
- DFH ,
- TAVIS 2,
- ETC.
c) implementação de planos, implementar as intervenções necessárias e monitorar a integridade destas, exemplo se o tratamento requer uma comunicação diária entre os pais e a escola, verificar se isso está sendo realmente cumprido. Geralmente, e dependendo da intensidade dos sintomas, uma combinação entre intervenções pode ser útil ao controle do TDAH:
- Treinamento e ou orientação de pais, professores e da própria criança, acerca do que é o transtorno, suas conseqüências e formas de manejo;
- Psicoterapia que será individual para o desenvolvimento da capacidade de concentração da criança e o desenvolvimento do autocontrole e;
presença de comorbidades (principalmente transtornos depressivos, de ansiedade e de conduta) e; abordagem de sintomas de baixa auto-estima e capacidades sociais pobres;
- Acompanhamento psicopedagógico e ou reforço escolar para as crianças que no momento do diagnóstico apresentam lacunas no aprendizado;
- Tratamento medicamentoso: o remédio mais utilizado para este caso tem o nome de ritalina (metilfenidato).
d) reavaliação de problema, determina-se a extensão na qual os objetivos da intervenção foram alcançados: determina-se a extensão na qual os objetivos da intervenção foram alcançados. Os dados da avaliação são comparados ao desempenho da criança, de acordo com os objetivos desejados e previamente especificados durante o estágio,]de identificação do problema..
TRATAMENTO DO TDAH:
Primeiramente devemos saber que o TDAH necessita do esforço conjunto de várias pessoas, incluindo a própria criança, os pais e a equipe multidisciplinar como psicólogo, professor, psicopedagogo, fonoaudiólogo, médico e também uma combinação variada de outros tipos de intervenção.
Psicólogo na escola:
O psicólogo está diante de uma grande tarefa e responsabilidade que é a de minimizar o sofrimento da criança, de seus pais e de seus professores. Das intervenções necessárias ao controle do TDAH, podemos citar aquelas que o psicólogo ou o profissional da saúde mental, poderá conduzir, entre elas:
a) orientação aos pais,
b) orientação de professores
c) psicoterapia
d) psicopedagogia
Orientação aos Pais: os pais devem tentar ver o mundo através dos olhos das crianças, fazer distinção entre desobediência e incompetência. A partir do momento que os pais identificam o porquê da atitudes do filho podem assumir uma postura de compreensão, dar orientações positivas, a criança com o transtorno deve saber previamente como agir de acordo com cada situação, interagir com sucesso, os pais devem passar uma mensagem clara para a criança de que deveria, eventualmente pedir consentimento dos pais para agir.
Algumas Dicas:
Reforçar o que há de melhor na criança.
- procurar conversar sempre com a criança sobre como está se sentindo;
- dar instruções diretas e claras;
- manter em casa um sistema de código ou sinal que seja entendido por todos,
- priorizar e focalizar o que é mais importante em determinadas situações,
- manter limites claros e consistentes,
- aprender a controlar a própria impaciência,
- não exigir mais do que a criança pode dar,
- não esperar perfeição,
- ter sempre um tempo disponível para interagir com a criança
- estimular a criança a fazer e manter amizades
Orientação aos Professores: O professor desempenha um papel crítico na experiência escolar da criança com TDAH. É útil que professores tenham pelo menos uma noção básica sobre o assunto, sobre os sintomas e as conseqüências em sala de aula, saiba diferenciar incapacidade de desobediência .
Ainda em se tratando do manejo no contexto escolar podemos dizer que as intervenções no ambiente escolar são extremamente importantes. O professor apesar de encontrar dificuldade por não ter em sua sala de aula apenas uma criança com problemas de atenção e hiperatividade, tem a responsabilidade educacional no processo de aprendizagem desta.
Deve-se ter em mente as dificuldades de concentração desta criança, durante um tempo prolongado, para selecionar a informação relevante em cada problema, de forma a estruturar e realizar uma tarefa.
Outra medida a ser tomada para garantir condições para que a aprendizagem da atenção ocorra é o reforçamento, porque garante a manutenção do estar atento.
Portanto, o psicólogo deve sugerir algumas dicas úteis para o professor manejar os sintomas de TDAH em sala de aula, como:
- manter contato com os pais regularmente,
- tentar acordos, perguntar à criança como ela acha que pode aprender melhor,
- monitorar tarefas, marcando tempo, ajuda a criança a se programar e se orientar dentro de um prazo preestabelecido,
- orientar o aluno previamente sobre o que é esperado dele, em termos de comportamento e a aprendizagem,
- usar recursos especiais, como gravador, retroprojetor, slides, etc.
- ser flexível para lançar mão de uma série de recursos e estratégias de ensino até descobrir o estilo da aprendizagem da criança,
- dar o conteúdo passo-a-passo, verificando se houve aprendizado a cada etapa,
- estimular o interesse para aprender,
- reduzir os estímulos que possam distrair o aluno,
- manter a sala organizada e bem estruturada,
- estabelecer regras claras e consistentes,
- evitar tarefas repetitivas próximas uma das outras,
- focalizar mais o processo que o produto, enfatizar mais a qualidade do que a quantidade;
- envolver-se mais com o aluno para despertar nele a motivação, o interesse e a responsabilidade,
- etc.
O PAPEL DA PSICOTERAPIA
O trabalho do psicólogo deve também envolver uma abordagem integrada que utilize outros tipos de intervenções relacionadas às outras abordagens terapêuticas que são adicionadas à psicoterapia.
Pesquisas recentes indicam que as intervenções com base em estratégias cognitivo-comportamental são as estratégias psicoterápicas que promovem os melhores resultados para o controle dos sintomas do TDAH, e deve haver portanto, o modelo integrado.
Os problemas com TDAH não requerem psicoterapia a longo prazo, entretanto algumas crianças vivem histórias sucessivas de fracassos, que as coloca em grande risco para desenvolverem a baixo-auto estima, sentimentos de inferioridade, ansiedade, depressão,etc.
A psicoterapia também é importante porque oferece a oportunidade de esclarecer dúvidas quanto às dificuldades específicas como, dificuldades sociais e de aprendizagem, além de promover também o desenvolvimento de habilidades sociais, que muitas vezes a criança hiperativa precisa.
O profissional pode focalizar dificuldades específicas da criança, em termos das habilidades sociais, criando um espaço e situações para desenvolvê-las, por meio da interação com a criança por intermédio de qualquer atividade lúdica, e então a criança poderá desenvolver habilidades como:
- saber ouvir
- iniciar uma conversa
- olhar nos olhos para falar
- oferecer auxílio
- brincar cooperativamente
-sugerir outras brincadeiras
- pedir por favor
- manter-se sentada por um período
-ser amigável e gentil
- dar atenção aos outros
- etc
Além dessas habilidades existem outras possibilidades de intervenção na clínica psicológica:
- jogo de regras
- brincadeiras de representação;
- trabalhar com materiais tranqüilizantes
- atividade corporal cinestésica
- uso de sucatas
- tomada de decisão
O PAPEL DA PSICOPEDAGOGIA:
O acompanhamento psicopedagógico é importante porque auxilia no trabalho, atuando diretamente sobre a dificuldade escolar apresentada pela criança, suprindo a defasagem, reforçando o conteúdo, possibilitando condições para que novas aprendizagens ocorram.
As técnicas psicopedagógicas mais utilizadas são os jogos de exercícios sensório-motores, como a amarelinha, bola de gude ou de bolas, damas, xadrez, carta, memória, quebra cabeça, etc.
Esses jogos permitem à criança, além do desenvolvimento social quanto a limites, a participação, saber ganhar, perder, o desenvolvimento cognitivo, e possibilita a oportunidade para a criança detectar onde está, o porquê e o tipo de erro que cometeu, tendo chance de refazer, agora, de maneira correta.
O PAPEL DA MEDICAÇÃO:
O uso de medicações é provavelmente o tópico mais debatido e publicado em relação ao tratamento do TDAH. Estudos mostram que os estimulantes, antidepressivos tricíclicos e a clonidina podem ser de grande ajuda para pacientes com TDAH.
No mercado brasileiro o único estimulante encontrado é o metilfenidato (ranitidina).
Os estimulantes funcionam primariamente aumentando a ação de certas substâncias químicas que ocorrem naturalmente no cérebro, mas se concentram fortemente na região frontal, onde se acredita estejam as principais alterações responsáveis pelo TDAH.
Personalidades com Suposto TDAH:
A autora Ana Beatriz B. Silva em seu livro “Mentes Inquietas” traz alguns exemplos de pessoas famosas por seus grandiosos feitos supostamente portadoras do TDAH, entre eles:
“ De Einstein a Marlon Brando...”
Albert Einstein –“ Uma intuição nada relativa”
“ Como foi que aconteceu que fui eu a pessoa a desenvolver a Teoria da Relatividade? A razão, penso eu, é que um adulto normal nunca pára para pensar sobre problemas de espaço e tempo. Essas são coisas nas quais ele pensou quando criança. Mas o meu desenvolvimento intelectual foi retardado., em resultado de eu ter começado a me perguntar sobre espaço ed tempo somente quando já tinha crescido. Naturalmente, eu pude ir mais fundo no problema do que uma criança com capacidades normais”.
... Impaciente e inquieto, desprezava aqueles que tinham medo de quebrar protocolos e conceitos tradicionais. Polêmico, amado, odiado, invejado... uma das figuras mais importantes do século XX. Einstein o velhinho simpático das caretas e da alegria, foi uma eterna criança que soube transformar a ilimitada imaginação infantil em uma grande contribuição para toda a humanidade.
Fernando Pessoa - “Um navegador de várias almas”
Lendo sua obra, observam-se indicativos de um comportamento DDA. Como no poema “ Liberdade”, no qual fustiga o tédio e desafia conceitos estabelecidos.
“Ai, que prazer/não cumprir um dever/ter um livro para ler/e não o fazer/.
Ler é maçada, /estudar é nada./ Livros são papéis pintados com tinta/.
Estudar é uma coisa em que está indistinta/ A distinção entre nada e coisa nehuma.../.
A contradição, a visão imprecisa sobre si mesmo e a baixa auto-estima também aparecem de maneira clara no poema “ Tabacaria”:
“ Não sou nada/Nunca serei nada/Não posso querer nada/À parte isso/
Tenho em mim todos os sonhos do mundo.../”
Leonardo da Vinci: “ Imaginação sem fronteiras...”
Da Vinci tinha uma mente movida por uma inquietação inacreditavelmente desbravadora.
Além de mestre da pintura foi também, arquiteto, botânico, urbanista, cenógrafo, cozinheiro, inventor, geógrafo,físico e músico. Muitos o julgavam um fracassado por deixar tantas obras incompletas.
Tinha uma percepção apurado do mundo e dos acontecimentos e uma maneira diferente de ver as coisas, uma das características das mentes com funcionamento TDAH. Leonardo Da Vinci dizia: “Muitos vêem, mas não enxergam”.
Ludwig Beethoven:
O tempo passou e o genial maestro, inquieto, polêmico e incompreendido, semelhante a uma mente com funcionamento de TDAH presenteou o mundo com sua música.
Enfrentando problemas de surdez, chegou a ser considerado acabado. Melancólico e deprimido, até mesmo pensou em suicídio, mas desistiu e disse o porquê em uma vcarta: “Foi a arte, e apenas ela, que me reteve.
“Aaah! Parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim”.
Marlon Brando: “Luz, câmeras e emoção”
“Seriam necessários muitos anos para que eu deixasse de aceitar o que me foi ensinado, durante a minha infância: que eu era um inútil”.
Marlon sofreia de baixa auto-estima e, além disso, era compulsivo por sexo.
Sua reflexão sobre seu comportamento:
“Nenhum de nós jamais compreendeu as forças psicológicas que nos motivam, nem conseguimos entender as reações bioquímicas que se passam em nosso cérebro e nos orientam a fazer uma escolha e não outra, a seguir um caminho e rejeitar outros. No entanto, uma coisa é certa: tudo que fazemos é produto dessas reações bioquímicas.”
Entre outros a autora de Mentes Inquietas cita : Henry Ford (pai da indústria automobilística); Vincent van Gogh, Wolfgang Amadeus Mozart.
Reflexão:
É chegada a hora de os profissionais de saúde entenderem, de uma vez por todas, que o objetivo final de seu trabalho é o bem estar do ser humano que, por vício profissional, costuma-se chamar de paciente. Psiquiatras, neurologistas, psicólogos, psicanalistas, fonoaudiólogos e pediatras precisam ter em mente que conhecimentos, e principalmente a troca amigável deles, obedecem a uma equação somatória e não de divisão de poder. Ter o poder de acertar um diagnóstico é algo infinitamente mesquinho quando comparado ao poder de ajudar um ser humano a viver com a dignidade de uma existência menos desconfortável e angustiante. Esse talvez seja o maior legado que o tempo poderá trazer aos TDAHs.
Que venha esse novo tempo, em que a intercomunicação do conhecimento não seja só “ global-virtual”, mas sim real e cotidiana.
* Clínica de Psicologia Rosângela Tostes CRP 06/81495 Terapia Cognitivo Comportamental, Reabilitação Cognitiva e Exames Neuropsicológicos
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